Os dias no Egipto têm sido de constante descoberta e o de hoje não foi diferente. O país é conhecido pela imponente arqueologia, pelas férteis margens do Nilo, mas não só. Os problemas gástricos nesta terra também são famosos e dignos de registo em todos os guias turísticos. Hoje compreendo a sua fama!
Ainda não eram quatro da manhã quando partimos de autocarro para a tão esperada visita a Abu Simbel. De almofada numa mão e uma caixa com alguns snacks na outra, o único desconforto que sentia era apenas o sono. Mas não foi necessária uma hora sequer para que a situação mudasse. As fortes cólicas foram o primeiro sinal de que algo não estava bem. Felizmente o autocarro tinha casa de banho. Seguiram-se os enjoos e a sensação de febre. Perdi a conta às coca-colas que bebi hoje e até mesmo aos comprimidos que tomei. Os primeiros três tomei-os ainda no autocarro, deu-mos o Fernando, um Canário que está no nosso grupo. Depois, no barco, o Pedro foi à recepção explicar os meus sintomas, e forneceram-lhe mais alguns de outras duas variedades. Fiz a minha primeira refeição do dia a apenas alguns minutos – pão com banana. Foram necessárias três horas e meia para que trouxessem comida até ao quarto. O Pedro, que não foi jantar para poder ficar comigo, também estava cheio de fome. Se calhar continua com alguma, a espera foi longa e não trouxeram queijo para ele poder fazer uma sandes. Tal como eu, esta noite fez uma dieta de pão e banana.
Mas apesar do desconforto lá fui visitar Abu Simbel e ainda bem que o fiz. É uma visão impressionante.
O Grande Templo, dedicado a Ramsés II, é-nos apresentado com quatro colossos do faraó sentado. É intimidante! Esta fachada tem 33 metros de altura. A monumentalidade mantém-se no interior, com uma sala com estatuária de Ramsés II divinizado e um santuário onde o faraó se senta ao lado dos deuses Amon-Rá, Ptah e Rá-Harakhty.
O governante mandou construir ao lado do Grande Templo um outro, um pouco mais comedido, para a sua esposa favorita, Nefertari. Na fachada existem seis estátuas, três de cada lado da porta, Nefertari ao meio e Ramsés nas extremidades.
A posição geográfica do complexo já não é a original. Há 50 anos, a UNESCO transferiu os templos, para evitar que fossem submersos com a construção da Grande Barragem. Encontram-se agora num penhasco artificial, a pouco mais de 200 metros da posição original.
Depois do complexo de Abu Simbel, fomos ver a Barragem, onde começa o lago Nasser, o maior lago artificial do mundo.
No regresso para Assuão, ainda parámos para ir visitar o Obelisco Inacabado e uma perfumaria (mais uma loja onde o Osama tem comissão), mas nessa altura já não me sentia capaz de sair do autocarro. O Pedro ainda foi ver o Obelisco.
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