sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dia 4 - Catarina e Pedro

Os dias no Egipto têm sido de constante descoberta e o de hoje não foi diferente. O país é conhecido pela imponente arqueologia, pelas férteis margens do Nilo, mas não só. Os problemas gástricos nesta terra também são famosos e dignos de registo em todos os guias turísticos. Hoje compreendo a sua fama!
Ainda não eram quatro da manhã quando partimos de autocarro para a tão esperada visita a Abu Simbel. De almofada numa mão e uma caixa com alguns snacks na outra, o único desconforto que sentia era apenas o sono. Mas não foi necessária uma hora sequer para que a situação mudasse. As fortes cólicas foram o primeiro sinal de que algo não estava bem. Felizmente o autocarro tinha casa de banho. Seguiram-se os enjoos e a sensação de febre. Perdi a conta às coca-colas que bebi hoje e até mesmo aos comprimidos que tomei. Os primeiros três tomei-os ainda no autocarro, deu-mos o Fernando, um Canário que está no nosso grupo. Depois, no barco, o Pedro foi à recepção explicar os meus sintomas, e forneceram-lhe mais alguns de outras duas variedades. Fiz a minha primeira refeição do dia a apenas alguns minutos – pão com banana. Foram necessárias três horas e meia para que trouxessem comida até ao quarto. O Pedro, que não foi jantar para poder ficar comigo, também estava cheio de fome. Se calhar continua com alguma, a espera foi longa e não trouxeram queijo para ele poder fazer uma sandes. Tal como eu, esta noite fez uma dieta de pão e banana.
Para mim este dia foi de grande violência física. No Nilo, estes problemas são, de facto, muito mais severos que qualquer outro que já tenha tido desta natureza. Estou convencida que a origem deste “mal-estar” foi a bebida que ganhei ontem à noite. Não me recordo, mas provavelmente tinha gelo – “fruto proibido” nestas paragens.
Mas apesar do desconforto lá fui visitar Abu Simbel e ainda bem que o fiz. É uma visão impressionante.
O Grande Templo, dedicado a Ramsés II, é-nos apresentado com quatro colossos do faraó sentado. É intimidante! Esta fachada tem 33 metros de altura. A monumentalidade mantém-se no interior, com uma sala com estatuária de Ramsés II divinizado e um santuário onde o faraó se senta ao lado dos deuses Amon-Rá, Ptah e Rá-Harakhty.
O governante mandou construir ao lado do Grande Templo um outro, um pouco mais comedido, para a sua esposa favorita, Nefertari. Na fachada existem seis estátuas, três de cada lado da porta, Nefertari ao meio e Ramsés nas extremidades.
A posição geográfica do complexo já não é a original. Há 50 anos, a UNESCO transferiu os templos, para evitar que fossem submersos com a construção da Grande Barragem. Encontram-se agora num penhasco artificial, a pouco mais de 200 metros da posição original.
Depois do complexo de Abu Simbel, fomos ver a Barragem, onde começa o lago Nasser, o maior lago artificial do mundo.


No regresso para Assuão, ainda parámos para ir visitar o Obelisco Inacabado e uma perfumaria (mais uma loja onde o Osama tem comissão), mas nessa altura já não me sentia capaz de sair do autocarro. O Pedro ainda foi ver o Obelisco.
Quando chegámos ao barco vim para o quarto e ainda não consegui sair. Lamento não me poder despedir do nosso grupo que parte para casa esta madrugada. A partir de amanhã somos apenas nós os quatro. Vamos subir o Nilo de regresso a Luxor e depois vamos para Hurgada. Espero que a Irene e o Marti fiquem no nosso hotel, têm sido excelentes companheiros de viagem.

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