quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dia 2 - Catarina e Pedro

O dia hoje começou cedo, às 4h45 da manhã (mais uma hora que em Portugal continental). Preparámo-nos, descemos ao último piso do barco para tomarmos o pequeno-almoço. Indicaram-nos a nossa mesa, era para quatro pessoas – para nós e os nossos “vizinhos da frente”, Marti e Irene, o jovem casal que tínhamos conhecido na noite anterior.
As caras de sono eram generalizadas, todos tínhamos dormido pouco e, não fossem as maravilhas que nos aguardavam nesse dia, a vontade era a de voltar para a cama.
Apanhámos o autocarro para fazermos a nossa primeira excursão da viagem. Primeiro destino: Colossos de Mémmon, duas estátuas de Amenhotep III enormes, de 18 metros cada.
Originalmente, estas serviam para guardar o templo funerário de Amenhotep, que terá sido posteriormente saqueado por outros faraós e destruído pelas cheias do Nilo.
No período romano as duas estátuas tornaram-se uma atracção turística, por uma delas sibilar ao nascer do sol. O fenómeno devia-se a danos provocados por um sismo no ano 27 a.C. Em 199 d.C. o Imperador Severo mandou restaurá-la e, desde então, Mémnon nunca mais “cantou”.

Partimos em direcção ao Templo da Rainha Hatsheput, em Deir-al-Bahir.
Um monumento impressionante pelo tamanho, parcialmente escavado na rocha, que fica na base de uma escarpa de calcário.
Foi descoberto no séc. XIX e ainda está a ser restaurado.
         

Atrás dessa montanha encontra-se um dos mais importantes sítios arqueológicos, o Vale dos Reis. Até ao momento, foram encontrados 65 túmulos. Nós tivemos a oportunidade de visitar três deles, o de Ramsés VI, o de Siptah e (sem certezas da minha parte) o da rainha Tawsert. Pensámos ainda em visitar o de Tutankhamon, mas o interior está totalmente “despido”, uma vez que se encontra no Museu do Cairo, e, por isso, não o fizemos.


Seguiu-se uma visita chata a uma loja “amiga” do Osama, o nosso guia. Tratava-se de uma loja de objectos de alabastro. Espreitámos a loja e saímos para fumar um cigarro. Cá fora estava um homem a martelar a pedra, convidou a sentar ao seu lado, no chão, e a fazer o mesmo que ele. Sentei-me a partir pedra, acabou por ser uma experiência divertida. No final ofereceu-me um escaravelho da sorte e uma ou duas amostras de alabastro. Ofereci-lhe um cigarro, agradeceu mas recusou pois estava em pleno Ramadão e só podia fumar depois de o sol se pôr.

Deixámos para trás a loja de alabastro e dirigimo-nos ao Templo de Luxor, que se encontra junto à margem oriental do Nilo, no centro da cidade. A entrada faz-se pela Avenida das Esfinges, que nos conduzem a um complexo de grandes colunatas. Dedicado à tríade tebana de Amon, Mut e Khonsu, o Templo foi inaugurado por Amenhotep III.

Seguimos para Karnak, um complexo majestoso, com o Templo de Amon, o rei dos deuses, a grande Sala Hipostila (suportada por 134 colunas), o colosso de Ramsés II e o Lago Sagrado.
Este espaço foi construído ao longo de 1300 anos e foi encontrado em meados do séc. XIX.
Às 13h00 voltámos para o barco, onde almoçámos e seguimos viagem. No final do almoço aprendemos uma lição, nunca deixar a sobremesa para o final da refeição. Depois de comermos fomos à procura das sobremesas mas já tinham desaparecido todas. A partir daí criámos uma nova rotina que se manteve até ao final da viagem, antes de começarmos a comer servíamo-nos de tudo o queríamos, da sopa às sobremesas, e só então nos sentávamos a comer. Esta rotina era partilhada pelos quatro.
Depois do almoço fomos para o quarto descansar, estas primeiras horas de cruzeiro assemelharam-se a um filme, a grande janela do quarto permite-nos observar a fantástica paisagem verde das margens que contrasta com o amarelo árido das montanhas logo atrás. Vamos para sul mas ainda não sei qual vai ser a próxima paragem. Para já limito-me a apreciar a vista com direito a esporádicas visitas de aves, cujos nomes desconheço e pescadores que ganham a vida nas águas do Nilo.
O Pedro adormeceu e eu estou à espera do sono para fazer o mesmo ou da digestão feita para me poder refrescar na piscina da cobertura.
Só uma nota antes de fechar, os túmulos do Vale dos Reis tinham um cheiro muito forte, para já não temos a certeza do que o provoca, talvez seja o cheiro da morte… Felizmente o Nilo cheira muito melhor.

1h00

O sono levou a melhor, a piscina terá que fica para outro dia. Acordei às 19h00, estivemos no bar com a Irene e o Marti e depois fomos jantar. Desta vez, já nos servimos das sobremesas antes de começarmos a comer, e que gulosos fomos!! No final ainda cantámos os Parabéns ao Néstor, um rapaz das Canárias, que está no nosso grupo.
Os nossos novos amigos são uns queridos, antes do jantar, sabendo que estávamos de Lua-de-mel e que tínhamos duas camas separadas, foram ajudar-nos a tirar o móvel entre elas e juntá-las. Agora já parece uma cama de casal!
As noites no Egipto estão fantásticas, quentes, com uma leve brisa, o que torna as espreguiçadeiras da cobertura num local esplêndido para terminar a noite. A noite de hoje foi nossa e do Nilo, um cenário idílico para uma lua-de-mel. Agora é hora de dormir, o despertar é daqui a cinco horas.

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